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Comunidade

Confeiteira perde itens de cozinha em incêndio que atingiu sua casa em Neves, São Gonçalo

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Confeiteira faz vaquinha online para conseguir bens que foram queimados em incêndio em sua casa . Foto: Arquivo pessoal

“Eu teria morrido se não tivesse acordado naquela hora. Agradeço a Deus por ter conseguido salvar meus familiares. Por outro lado, perdi tudo que me ajudava na minha única fonte de renda, que é fazer bolos”. A declaração dolorida é da confeiteira Letícia Martins, de 22 anos, que, na última sexta-feira (07), teve sua casa invadida pelo fogo em um incêndio. Ninguém se feriu, mas ela acabou tendo a cozinha dominada pelas chamas, o que causou a destruição de diversos de seus produtos de confeitaria, o que fez com que ficasse sem sua renda para reconstruir a vida após o incidente. Agora, família e amigos se organizam para juntar o valor necessário para Letícia e sua família através de uma vaquinha online.

Letícia sempre morou na casa que pegou fogo, localizada em Neves, bairro de São Gonçalo. Na quinta-feira (06), um dia antes do incêndio, ela foi ao Centro de Niterói comprar os ingredientes e alguns materiais necessários para fazer bolos, pois tinha encomendas para entregar no sábado (08).

“Eu sou boleira desde 2016, então, tenho clientes que já fazem encomendas. No sábado (08), eu tinha duas para entregar. Fui dormir na quinta-feira (06) de noite e deixei tudo na mesa pronto para que quando acordasse no dia seguinte, só terminasse as coisas e entregasse. Eu moro com meu esposo, minha bisavó de 85 anos, minha avó e minha filha de 3 anos. Minha mãe e meu irmão de 8 anos moram atrás da minha casa, mas, de manhã, ele geralmente fica aqui comigo quando minha mãe vai trabalhar. Então, minha mãe saiu de casa às 5h na sexta-feira (07), deixou meu irmão aqui, como sempre, e saiu. Ele ficou no quarto com a minha bisavó e minha filha estava comigo, dormindo. Meu esposo e minha avó não estavam em casa. Quando acordei, lá pras 6h40, comecei a sentir o cheiro da fumaça, meu olho ardia e eu não entendi o que tava acontecendo. Saí do quarto e vi as chamas na cozinha. Tirei todo mundo de casa e gritei pelo socorro dos meus vizinhos, que vieram com baldes de água e conseguiram me ajudar a apagar o fogo”, contou ela. Letícia afirmou também que não acionou os bombeiros, já que o fogo foi controlado com a ajuda dos vizinhos.

“Acho que se não acordasse, teria morrido, pois o fogo ia se alastrar e alcançar o quarto de todos. Mas, as chamas acabaram consumindo os eletrodomésticos da cozinha e os materiais que uso para fazer meus bolos, como panela elétrica, o fogo elétrico, minha mesa de inox, o microondas, as minhas forminhas de bolo e diversos materiais para confeitaria que comprei com sacrifício todos esses anos. Alimentos como feijão, macarrão, leite condensado e outros também foram queimados nas chamas. Eu fiquei muito triste, pois trabalho com bolos há anos e conquistei todos os meus materiais com esforço, mas graças a Deus, salvei minha família”, contou ela.

Letícia acredita que uma extensão em sua casa tenha sido a causadora do fogo. “Era a única coisa que estava ligada no momento do incêndio na cozinha e o rastro na parede indica que tudo começou nela”, disse a confeiteira.

Algumas coisas, Letícia conseguiu salvar da cozinha com a ajuda da família, mas outras ela perdeu de forma definitiva e, até o momento, apesar de morar na mesma casa, não pode usar a cozinha do ambiente e não tem os materiais para produzir seus bolos. “Graças a Deus não perdemos roupas nem móveis no quarto, porque o fogo não chegou lá. Mas, perdemos muita coisa de bolo e estou sem renda no momento. Ser boleira era toda a renda que eu tinha”, disse ela.

Por conta disso, a família de Letícia resolveu criar uma vaquinha para arrecadar fundos que serão convertidos em comida para a família da jovem, além de materiais para obra e para bolos. “No início, eu não quis postar nada pedindo ajuda, pois tinha vergonha, mas, minha irmã me incentivou, pois estou precisando muito. Preciso, principalmente, de materiais de obra, para reconstruir minha cozinha; peças de confeitaria, para voltar a trabalhar; e de alimentos, por isso, surgiu a vaquinha online. Peço que quem puder ajudar doe, qualquer valor faz diferença, até um real”, afirmou Letícia.

Quem quiser ajudar a confeiteira, basta doar na vaquinha online clicando aqui. Já aqueles que quiserem doar direto na conta ou doar os materiais, pode entrar em contato com ela pelo número (021) 97346-9226.

Letícia pretende registrar o caso na 73ª DP (Neves), ainda nesta terça-feira (11).

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Comunidade

Voz das comunidades e Polícia militar de mãos dadas em prol de crianças da Vila Cruzeiro

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Major Bianca distribuindo álcool em gel. Foto: Vilma Ribeiro / Voz Das Comunidades

Na manhã da segunda-feira (07) na Vila Cruzeiro, Zona Norte da cidade do Rio, aconteceu um marco muito simbólico na comunidade. Depois de um ano inativo, o Centro Atitude Social retornou às atividades graças a uma parceria com a Unidade de Polícia Pacificadora da Vila Cruzeiro.

Após 5 anos sem qualquer convênio para auxiliar a continuidade das atividades, o projeto Atitude Social finalmente encontrou um parceiro para continuar com os trabalhos na comunidade da Vila Cruzeiro: a UPP da comunidade. Os policiais da unidade de polícia da favela estarão atuando como professores dos projetos sociais, depois de mais de um ano sem atividades socioeducativas no espaço.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

A assessora de polícia de proximidade, Major Bianca Neves, comentou sobre essa parceria. “Temos 19 das 29 UPPs com esse projeto de prevenção. A partir de hoje, teremos 20 unidades com esse projeto. Para mim isso é de extrema relevância proporcionar para estas crianças, jovens e adultos esta oportunidade de aproximação com a polícia militar. Queremos quebrar este estigma. Atrás da farda existe um pai, uma mãe, e nosso objetivo é proporcionar uma mudança na vida dessas pessoas”. Atualmente, segundo a major, mais de 4 mil pessoas são beneficiadas por estas ações de integração das unidades de polícia pacificadora.

Outros agentes também comentaram sobre esta integração: Major Leonardo Nogueira e o Capitão da UPP da Vila Cruzeiro, Luciano Monteiro. O major ressaltou que é fundamental a segurança pública prevalecer na comunidade, “Não é possível fazer segurança pública sem a participação da comunidade. O que estamos fazendo aqui é uma tentativa de aproximação da polícia pacificadora com essa parte da comunidade”. Já o capitão frisou a importância de fazer da favela uma referência no que diz respeito ao trabalho de integração social da polícia. “A mudança só vem se for uma mudança estrutural, não ocasional. Se fizermos essa mudança desde agora, podemos mudar essa realidade no futuro, mostrando novos horizontes”.

Além desta ajuda da UPP da Vila Cruzeiro, o espaço Konteiner também será um dos parceiros do Centro Atitude Social. “Nossa intenção é unir essa força, para que o Estado entre de uma forma que realmente possa mudar vidas. Além de trazer uma luz para nossos jovens, através do esporte e da cultura, o objetivo de Konteiner sempre será este: de ajudar a comunidade, de diversas formas”, destacou um dos fundadores do Konteiner, Leonam Silva.

A comunidade celebrou a volta das atividades no espaço que já atendeu mais de 8 mil crianças desde sua fundação em 2004. “Esse projeto é gratificante para nossas crianças, ainda mais nessa pandemia onde as crianças estão muito dentro de casa. E aqui temos a confiança no trabalho e que nossos filhos estão se desenvolvendo. Finalmente olharam para o projeto, para melhorar ainda mais”, relatou Tânia Cetera, de 58 anos.

Aluno do projeto desde a infância, Renato Silva, hoje com 20 anos, faz parte da escolinha de futebol e comentou também sobre a ocasião. “É importante para nós, e nossa comunidade, de correr atrás de uma vida melhor. O projeto Atitude Social é isso aí, só coisas boas”.

Sandra Vieira celebrou a retomada das atividades e falou de como isso é significativo para a comunidade da Penha.
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Sandra Vieira, coordenadora do espaço, falou com alegria sobre este recomeço. “Hoje é um marco. Estamos inaugurando essa iniciativa social com a UPP. É o que sempre quisemos ver. Esse trabalho de cidadania. Estamos muito felizes. Vou me dedicar para que seja tudo em prol da nossa comunidade”.

Serão oferecidas 3 novas oficinas pela UPP, sendo estas: Música, Natação e Jiu-Jitsu. Para realizar a inscrição é necessário ir até a unidade com os seguintes documentos:

Certidão de Nascimento (cópia)
Carteira de vacinação (cópia)
Documento de foto do responsável (cópia)
Declaração escolar

O Centro Atitude Social está localizado na Estrada José Rucas 1266, Vila Cruzeiro, Penha – RJ.

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Comunidade

Debate ambiental rompe bolha e chega nas favelas, onde mudanças climáticas serão mais sentidas

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“Nada sobre nós sem nós.” Vi essa frase grafitada em um muro e foi como se a cidade traduzisse pra mim da forma mais simples possível o que há quase seis anos no Engajamundo, instituição que promove a atuação de jovens no enfrentamento de problemas ambientais, a gente vem espalhando, como sementes, nos espaços de juventudes.

Saber que somos os mais afetados e vulneráveis aos impactos das mudanças do clima não é e nunca foi o bastante, pois não somos escutados na construção de soluções conjuntas.

Lá nos anos 2000, falar de meio ambiente era papo distante demais pra quem tinha pouco acesso a quase tudo. A gente ficava só com o desespero de saber que tinha alguma coisa acontecendo no mundo, como um buraco na camada de ozônio e blocos de gelo do tamanho de um prédio derretendo.

A geração que cresceu com a promessa de um aquecimento global descobriu que a única opção é lutar. Esta é mais uma das guerras que nós, juventudes de todas as partes, teremos que batalhar.

A responsabilidade é coletiva, porém os impactos dessa crise não serão sentidos da mesma forma por todos. Essa é a injustiça ambiental que existe desde sempre no Brasil.

Seja pela falta de braços suficientes para tantas lutas ou porque a interseccionalidade tem achado força e significado no debate popular, a pauta ambiental vem rompendo a bolha dos órgãos e especialistas e tem transitado pelas periferias.

Apesar disso, é importante dizer que o futuro não é um assunto prioritário para quem vive nos subúrbios e pega ônibus lotado em meio a uma pandemia, pois antes há prioridades como o combate à violência e às desigualdades.

Pode ser desafiador falar do “monstro invisível” das mudanças climáticas em um país onde existe um problema bem mais conhecido e presente na casa de quase 117 milhões de brasileiros: a fome.

Por outro lado, o atual debate de justiça ambiental (que é a perfeita tradução de que somos impactados de forma desproporcional pelos danos que causamos ao ambiente) permite o diálogo com quem está à frente do combate à fome, do debate sobre mobilidade urbana e das reivindicações do preço do ônibus.

Nesta grande conversa, estão incluídos também aqueles que abordam questões raciais e de gênero, se preocupam com saneamento básico, fazem governança comunitária, mobilizam por meio da fé e utilizam a arte para expressar a angústia do coletivo.

A gente descobre na prática o que é o socioambiental do qual falam que pertencemos, mas que nunca nos chamam para participar ativamente. Quanto mais se escuta sobre justiça climática, mais sentimos que falta espaço e, por consequência, maior é a necessidade de lutar pela inclusão de vozes diversas.

Se preocupar e agir pelo bem do planeta que queremos viver é resgatar o direito de sonhar. Em tempos difíceis para os sonhadores, a força está no coletivo, no que converge, reúne e une lutas que pareciam andar sozinhas. Até a forma como as desassociamos é fruto de um processo colonizador que molda a forma como vemos o ambiente e o nosso papel no mundo.

Quando a gente descobre que começar a agir pelos nossos é fortalecer a luta de um todo nos damos conta daquilo que se ouviu de Chico Mendes: “no começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”.

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Pandemia tem fomentado trabalho infantil na América Latina

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Cerca de 8,2 milhões de crianças entre cinco e 17 anos de idade trabalham na América Latina e no Caribe, uma região que ficou mais longe de erradicar o trabalho infantil por causa da pandemia, conforme advertido nesta sexta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil”, declarou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro

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