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Comunidade

Debate ambiental rompe bolha e chega nas favelas, onde mudanças climáticas serão mais sentidas

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“Nada sobre nós sem nós.” Vi essa frase grafitada em um muro e foi como se a cidade traduzisse pra mim da forma mais simples possível o que há quase seis anos no Engajamundo, instituição que promove a atuação de jovens no enfrentamento de problemas ambientais, a gente vem espalhando, como sementes, nos espaços de juventudes.

Saber que somos os mais afetados e vulneráveis aos impactos das mudanças do clima não é e nunca foi o bastante, pois não somos escutados na construção de soluções conjuntas.

Lá nos anos 2000, falar de meio ambiente era papo distante demais pra quem tinha pouco acesso a quase tudo. A gente ficava só com o desespero de saber que tinha alguma coisa acontecendo no mundo, como um buraco na camada de ozônio e blocos de gelo do tamanho de um prédio derretendo.

A geração que cresceu com a promessa de um aquecimento global descobriu que a única opção é lutar. Esta é mais uma das guerras que nós, juventudes de todas as partes, teremos que batalhar.

A responsabilidade é coletiva, porém os impactos dessa crise não serão sentidos da mesma forma por todos. Essa é a injustiça ambiental que existe desde sempre no Brasil.

Seja pela falta de braços suficientes para tantas lutas ou porque a interseccionalidade tem achado força e significado no debate popular, a pauta ambiental vem rompendo a bolha dos órgãos e especialistas e tem transitado pelas periferias.

Apesar disso, é importante dizer que o futuro não é um assunto prioritário para quem vive nos subúrbios e pega ônibus lotado em meio a uma pandemia, pois antes há prioridades como o combate à violência e às desigualdades.

Pode ser desafiador falar do “monstro invisível” das mudanças climáticas em um país onde existe um problema bem mais conhecido e presente na casa de quase 117 milhões de brasileiros: a fome.

Por outro lado, o atual debate de justiça ambiental (que é a perfeita tradução de que somos impactados de forma desproporcional pelos danos que causamos ao ambiente) permite o diálogo com quem está à frente do combate à fome, do debate sobre mobilidade urbana e das reivindicações do preço do ônibus.

Nesta grande conversa, estão incluídos também aqueles que abordam questões raciais e de gênero, se preocupam com saneamento básico, fazem governança comunitária, mobilizam por meio da fé e utilizam a arte para expressar a angústia do coletivo.

A gente descobre na prática o que é o socioambiental do qual falam que pertencemos, mas que nunca nos chamam para participar ativamente. Quanto mais se escuta sobre justiça climática, mais sentimos que falta espaço e, por consequência, maior é a necessidade de lutar pela inclusão de vozes diversas.

Se preocupar e agir pelo bem do planeta que queremos viver é resgatar o direito de sonhar. Em tempos difíceis para os sonhadores, a força está no coletivo, no que converge, reúne e une lutas que pareciam andar sozinhas. Até a forma como as desassociamos é fruto de um processo colonizador que molda a forma como vemos o ambiente e o nosso papel no mundo.

Quando a gente descobre que começar a agir pelos nossos é fortalecer a luta de um todo nos damos conta daquilo que se ouviu de Chico Mendes: “no começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”.

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Comunidade

Voz das comunidades e Polícia militar de mãos dadas em prol de crianças da Vila Cruzeiro

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Major Bianca distribuindo álcool em gel. Foto: Vilma Ribeiro / Voz Das Comunidades

Na manhã da segunda-feira (07) na Vila Cruzeiro, Zona Norte da cidade do Rio, aconteceu um marco muito simbólico na comunidade. Depois de um ano inativo, o Centro Atitude Social retornou às atividades graças a uma parceria com a Unidade de Polícia Pacificadora da Vila Cruzeiro.

Após 5 anos sem qualquer convênio para auxiliar a continuidade das atividades, o projeto Atitude Social finalmente encontrou um parceiro para continuar com os trabalhos na comunidade da Vila Cruzeiro: a UPP da comunidade. Os policiais da unidade de polícia da favela estarão atuando como professores dos projetos sociais, depois de mais de um ano sem atividades socioeducativas no espaço.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

A assessora de polícia de proximidade, Major Bianca Neves, comentou sobre essa parceria. “Temos 19 das 29 UPPs com esse projeto de prevenção. A partir de hoje, teremos 20 unidades com esse projeto. Para mim isso é de extrema relevância proporcionar para estas crianças, jovens e adultos esta oportunidade de aproximação com a polícia militar. Queremos quebrar este estigma. Atrás da farda existe um pai, uma mãe, e nosso objetivo é proporcionar uma mudança na vida dessas pessoas”. Atualmente, segundo a major, mais de 4 mil pessoas são beneficiadas por estas ações de integração das unidades de polícia pacificadora.

Outros agentes também comentaram sobre esta integração: Major Leonardo Nogueira e o Capitão da UPP da Vila Cruzeiro, Luciano Monteiro. O major ressaltou que é fundamental a segurança pública prevalecer na comunidade, “Não é possível fazer segurança pública sem a participação da comunidade. O que estamos fazendo aqui é uma tentativa de aproximação da polícia pacificadora com essa parte da comunidade”. Já o capitão frisou a importância de fazer da favela uma referência no que diz respeito ao trabalho de integração social da polícia. “A mudança só vem se for uma mudança estrutural, não ocasional. Se fizermos essa mudança desde agora, podemos mudar essa realidade no futuro, mostrando novos horizontes”.

Além desta ajuda da UPP da Vila Cruzeiro, o espaço Konteiner também será um dos parceiros do Centro Atitude Social. “Nossa intenção é unir essa força, para que o Estado entre de uma forma que realmente possa mudar vidas. Além de trazer uma luz para nossos jovens, através do esporte e da cultura, o objetivo de Konteiner sempre será este: de ajudar a comunidade, de diversas formas”, destacou um dos fundadores do Konteiner, Leonam Silva.

A comunidade celebrou a volta das atividades no espaço que já atendeu mais de 8 mil crianças desde sua fundação em 2004. “Esse projeto é gratificante para nossas crianças, ainda mais nessa pandemia onde as crianças estão muito dentro de casa. E aqui temos a confiança no trabalho e que nossos filhos estão se desenvolvendo. Finalmente olharam para o projeto, para melhorar ainda mais”, relatou Tânia Cetera, de 58 anos.

Aluno do projeto desde a infância, Renato Silva, hoje com 20 anos, faz parte da escolinha de futebol e comentou também sobre a ocasião. “É importante para nós, e nossa comunidade, de correr atrás de uma vida melhor. O projeto Atitude Social é isso aí, só coisas boas”.

Sandra Vieira celebrou a retomada das atividades e falou de como isso é significativo para a comunidade da Penha.
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Sandra Vieira, coordenadora do espaço, falou com alegria sobre este recomeço. “Hoje é um marco. Estamos inaugurando essa iniciativa social com a UPP. É o que sempre quisemos ver. Esse trabalho de cidadania. Estamos muito felizes. Vou me dedicar para que seja tudo em prol da nossa comunidade”.

Serão oferecidas 3 novas oficinas pela UPP, sendo estas: Música, Natação e Jiu-Jitsu. Para realizar a inscrição é necessário ir até a unidade com os seguintes documentos:

Certidão de Nascimento (cópia)
Carteira de vacinação (cópia)
Documento de foto do responsável (cópia)
Declaração escolar

O Centro Atitude Social está localizado na Estrada José Rucas 1266, Vila Cruzeiro, Penha – RJ.

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Comunidade

Pandemia tem fomentado trabalho infantil na América Latina

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Cerca de 8,2 milhões de crianças entre cinco e 17 anos de idade trabalham na América Latina e no Caribe, uma região que ficou mais longe de erradicar o trabalho infantil por causa da pandemia, conforme advertido nesta sexta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil”, declarou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro

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Comunidade

Projetos gratuitos atraem jovens de comunidades para a música; confira as iniciativas

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Na comunidade Pereira da Silva, em Laranjeiras, a música representa um sopro de esperança para crianças e adolescentes como Edileuza Maria da Silva, de 13 anos. A menina já arrisca notas que vão do jazz ao funk no trombone, que estava longe de ser um objeto de interesse dela até ter contato com o Favela Brass, um projeto que ensina de graça os moradores do morro e de escolas públicas da redondeza a tocar este e outros instrumentos de metal, como trompete, saxofone e tuba.

— Ainda é cedo para me decidir por uma profissão mas, como adoro música, essa possibilidade não está descartada — afirma a garota, que frequenta as aulas na companhia da prima Maria Eduarda Santos da Silva, de 11 anos.

Iniciativas como essa estão apontando novos caminhos, pavimentado por notas musicais, para jovens carentes, também em outras localidades. Entre elas, estão o projeto social Escola de Música Amar que já funcionou em diversas comunidades do Rio, como a Providência, no Centro do Rio, e se transferiu para Manilha, em Itaboraí; a Orquestra de Cordas da Grota, em Niterói: e a Orquestra Maré do Amanhã.

Para o ex-aluno do Favela Brass André Luiz da Silva de Carvalho, de 20 anos, o projeto já abriu uma nova perspectiva. Morador do Fogueteiro, em Santa Teresa, ele toca sax tenor na banda do quartel onde está servindo, na Tijuca, e sonha seguir na música paralelamente à vida militar, sua outra paixão.

Estrangeiro na favela

A ideia do Favela Brass partiu de Tom Ashe, um britânico apaixonado por música brasileira e carnaval. Ele chegou ao Brasil em 2008 para passar seis meses e fazer imersão musical. Foi ficando e, há oito anos, se mudou para a comunidade, onde resolveu ensinar crianças e jovens locais a tocar instrumentos de sopro. O estrangeiro percebeu que o alto custo dos instrumentos — e do seu aprendizado, que é um processo longo — afastava esse público.

Os metais usados pelos alunos são frutos de doação e vêm de países da Europa e dos Estados Unidos. Os alunos já fazem apresentações públicas, inclusive com músicos estrangeiros.

— Com o tempo, fazendo parte da cena musical no Rio, percebi que o perfil de quem toca instrumentos como trombone e trompete não reflete a sociedade. Não tem aula de sopro nas escolas, e quem toca nos blocos não é de comunidade. Esses instrumentos são muito caros no Brasil — diz Tom, que criou o projeto em 2014.

Em 2019, ele fez parceria com quatro escolas públicas, atingindo 150 alunos, com a pandemia ficaram 54. Neste período, as aulas são on-line ou individuais, em locais abertos

Ex-menino de rua salvo pela música

Nascido em São Gonçalo, Elias Amador, de 36 anos, perambulou pelas ruas dos 6 aos 13. Recolhido numa instituição para menores até os 18, lá teve contato com a música. Depois que saiu, fez licenciatura na UniRio, após nove tentativas de entrar numa faculdade pública.

Multi-instrumentista, retribui a oportunidade que teve dando aulas de música de graça para crianças e jovens carentes ou em vulnerabilidade social. O projeto Escola de Música Amar, que até o começo da pandemia estava na Providência, atende cerca de 40 alunos em Manilha.

— A música é uma ferramenta importante. O adolescente se vê fazendo algo de que é capaz e é admirado por isso — testemunha Alexandre Costa da Silva, de 27 anos.

Alexandre, morador de Rocha Miranda, teve contato com o projeto na Providência, aos 19. Não tocava nada e encantou-se com o piano. Atualmete cursa licenciatura no Conservatório Brasileiro de Música. Já outro aluno do projeto, Fábio Torres, de Rio Bonito, virou baterista profissional.

E a música entrou na vida da niteroiense Raquel Terra, de 34 anos, aos 7, quando entrou para a Orquestra da Grota. Hoje, ela dá aulas, faz sonorização em teatro e tem um quarteto de cordas. Seu instrumento é o violoncelo:

— A orquestra me proporcionou um olhar diferenciado para o futuro e além do horizonte da comunidade.

Outros tons

Orquestra da grota

Completa 26 anos em 2021 e já deu oportunidade a muitos jovens, inclusive de ingressar no ensino superior. Entre eles, Alexandra Seabra, de 30 anos, que começou aos 10. A violinista, pós-graduada em produção cultural, dá aulas de música em escola particular. “A música me deu muitas oportunidades”, conta.

Maré do amanhã

Orquestra fundada pelo maestro Carlos Eduardo Prazeres, em 2010, começou com 24 alunos. Hoje atinge com musicalização 4 mil crianças do complexo. Dez já são músicos profissionais. Um atua no Canadá.

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