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Comunidade

Foto de criança expõe crise na assistência à saúde dos yanomamis

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Com quadro de verminose e malária, criança yanomami dorme em rede na aldeia Maimasi, perto da Missão Catrimani, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima – Divulgação

Na aldeia Maimasi, em Roraima, uma criança yanomami jaz sobre a rede. Com as costelas expostas pela desnutrição, ela foi diagnosticada com malária e verminose. Mas a primeira equipe médica no local em seis meses não dispunha de medicamentos suficientes para tratar toda a aldeia.

A foto dessa criança e a história por trás dela foram obtidas pelo missionário católico Carlo Zacquini, 84, que atua entre os yanomamis desde 1968. Ele é cofundador da Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY), que deu visibilidade aos problemas causados pelos brancos, promoveu atendimento em saúde e lutou pela demarcação, concluída em 1992.

O território yanomami sofre com o aumento da malária e com a desnutrição infantil crônica, que atinge 80% das crianças até 5 anos, segundo estudo recente financiado pela Unicef e realizado em parceria com a Fiocruz e o Ministério da Saúde.

Procurado, o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, do Ministério da Saúde, informou que a criança, do sexo feminino, foi transferida a Boa Vista (RR) dois dias após a visita médica, acompanhada dos pais e dos irmãos.

Ela tem 8 anos e pesa 12,5 kg. Internada desde 23 de abril, está em tratamento para pneumonia, anemia e desnutrição grave —a malária foi curada. Ela está estável e em acompanhamento pelo serviço social. Segundo o órgão, trata-se de um caso isolado.

O Dsei negou a escassez de medicamentos e afirma que a quantidade é definida de acordo com a demanda prevista pela semana epidemiológica. O órgão não informou sobre como está o tratamento de outros yanomamis doentes na mesma região, mas alega que o atendimento de saúde é dificultado pelo fluxo constante dos indígenas e atribuiu a alta de incidência de malária à presença do garimpo ilegal.

A seguir, o depoimento de Zacquini:

É uma criança da aldeia Maimasi, a dois dias a pé da Missão Catrimani. Ela está sem assistência há muito tempo, com malária e verminose.

A fotografia foi feita por volta de 17 de abril. O pessoal das equipes de saúde tem receio de denunciar essa situação, pois podem ser punidos, colocados em lugares mais penosos ou ser demitidos. Vários polos de saúde estão abandonados. Não há estoque de medicamentos para verminose na sede do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami), em Boa Vista. Até para malária a quantidade é limitada.

O posto de saúde tem muita dificuldade para conseguir medicamentos. Faltam profissionais para revezamento e falta gasolina para deslocamento. Há três meses, eles usam a canoa com rabeta [motor] dos próprios yanomamis.

Para chegar a Maimasi, seriam oito minutos de helicóptero, mas, a princípio, isso só ocorre em casos de emergência. Evidentemente, essa criança é um caso de emergência!

Para levar medicamento ao pólo-base, foram deslocados um avião com uma equipe médica, porém eles ficaram aguardando inutilmente a chegada do helicóptero.

Havia seis meses que ninguém visitava a aldeia. Dessa vez, foram medicamentos para malária, mas não deu para repetir a dose. Uma equipe da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde), incluindo médico, foi de avião até a Missão Catrimani para levar esses medicamentos.

O pessoal da saúde faz tratamentos com medicamentos, mas o tratamento não tem continuidade quando trocam de equipe. Assim, quando possível, fazem a primeira dose de tratamento, mas depois de um tempo os doentes devem recomeçar a partir da primeira dose.

Estou revoltado e com o sangue fervendo. É uma situação que parece estar se generalizando na Terra Indígena Yanomami.

O vaivém de garimpeiros é contínuo e isso implica voos de avião, barcos, helicópteros e a pé. São milhares os invasores da Terra Indígena Yanomami, e o presidente da República anuncia que irá pessoalmente falar com os militares que estão ali e com os garimpeiros também. Faz questão de dizer que não vai prender estes últimos, mas somente conversar.

Até para malária os medicamentos são contados, incluindo a cloroquina. Tem cloroquina para Covid, mas não para malária. A criança desnutrida está numa aldeia a oito minutos de helicóptero de um posto de saúde, mas leva um dia a pé. E depois dessa aldeia há outras, que na época estavam reunidas para o cerimonial funerário em outra aldeia mais afastada.

A equipe do pólo-base se deslocou a pé para a aldeia e encontrou um grupo grande de yanomamis que fazia um ritual funerário para uma criança que tinha morrido sem assistência. Eles ministraram medicamentos para verminose a todos, mas esse medicamento acabou e não puderam dar uma outra dose, o que é a praxe.

Aliás, havia mais de um ano que aquelas aldeias não recebiam atendimento contra verminose. A criança da foto e outros 16 indígenas presentes estavam com malária, a maioria deles com falciparum, a variedade mais agressiva. Os demais 84 estavam todos com sintomas de gripe e de febre.

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Comunidade

Voz das comunidades e Polícia militar de mãos dadas em prol de crianças da Vila Cruzeiro

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Major Bianca distribuindo álcool em gel. Foto: Vilma Ribeiro / Voz Das Comunidades

Na manhã da segunda-feira (07) na Vila Cruzeiro, Zona Norte da cidade do Rio, aconteceu um marco muito simbólico na comunidade. Depois de um ano inativo, o Centro Atitude Social retornou às atividades graças a uma parceria com a Unidade de Polícia Pacificadora da Vila Cruzeiro.

Após 5 anos sem qualquer convênio para auxiliar a continuidade das atividades, o projeto Atitude Social finalmente encontrou um parceiro para continuar com os trabalhos na comunidade da Vila Cruzeiro: a UPP da comunidade. Os policiais da unidade de polícia da favela estarão atuando como professores dos projetos sociais, depois de mais de um ano sem atividades socioeducativas no espaço.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

A assessora de polícia de proximidade, Major Bianca Neves, comentou sobre essa parceria. “Temos 19 das 29 UPPs com esse projeto de prevenção. A partir de hoje, teremos 20 unidades com esse projeto. Para mim isso é de extrema relevância proporcionar para estas crianças, jovens e adultos esta oportunidade de aproximação com a polícia militar. Queremos quebrar este estigma. Atrás da farda existe um pai, uma mãe, e nosso objetivo é proporcionar uma mudança na vida dessas pessoas”. Atualmente, segundo a major, mais de 4 mil pessoas são beneficiadas por estas ações de integração das unidades de polícia pacificadora.

Outros agentes também comentaram sobre esta integração: Major Leonardo Nogueira e o Capitão da UPP da Vila Cruzeiro, Luciano Monteiro. O major ressaltou que é fundamental a segurança pública prevalecer na comunidade, “Não é possível fazer segurança pública sem a participação da comunidade. O que estamos fazendo aqui é uma tentativa de aproximação da polícia pacificadora com essa parte da comunidade”. Já o capitão frisou a importância de fazer da favela uma referência no que diz respeito ao trabalho de integração social da polícia. “A mudança só vem se for uma mudança estrutural, não ocasional. Se fizermos essa mudança desde agora, podemos mudar essa realidade no futuro, mostrando novos horizontes”.

Além desta ajuda da UPP da Vila Cruzeiro, o espaço Konteiner também será um dos parceiros do Centro Atitude Social. “Nossa intenção é unir essa força, para que o Estado entre de uma forma que realmente possa mudar vidas. Além de trazer uma luz para nossos jovens, através do esporte e da cultura, o objetivo de Konteiner sempre será este: de ajudar a comunidade, de diversas formas”, destacou um dos fundadores do Konteiner, Leonam Silva.

A comunidade celebrou a volta das atividades no espaço que já atendeu mais de 8 mil crianças desde sua fundação em 2004. “Esse projeto é gratificante para nossas crianças, ainda mais nessa pandemia onde as crianças estão muito dentro de casa. E aqui temos a confiança no trabalho e que nossos filhos estão se desenvolvendo. Finalmente olharam para o projeto, para melhorar ainda mais”, relatou Tânia Cetera, de 58 anos.

Aluno do projeto desde a infância, Renato Silva, hoje com 20 anos, faz parte da escolinha de futebol e comentou também sobre a ocasião. “É importante para nós, e nossa comunidade, de correr atrás de uma vida melhor. O projeto Atitude Social é isso aí, só coisas boas”.

Sandra Vieira celebrou a retomada das atividades e falou de como isso é significativo para a comunidade da Penha.
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Sandra Vieira, coordenadora do espaço, falou com alegria sobre este recomeço. “Hoje é um marco. Estamos inaugurando essa iniciativa social com a UPP. É o que sempre quisemos ver. Esse trabalho de cidadania. Estamos muito felizes. Vou me dedicar para que seja tudo em prol da nossa comunidade”.

Serão oferecidas 3 novas oficinas pela UPP, sendo estas: Música, Natação e Jiu-Jitsu. Para realizar a inscrição é necessário ir até a unidade com os seguintes documentos:

Certidão de Nascimento (cópia)
Carteira de vacinação (cópia)
Documento de foto do responsável (cópia)
Declaração escolar

O Centro Atitude Social está localizado na Estrada José Rucas 1266, Vila Cruzeiro, Penha – RJ.

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Debate ambiental rompe bolha e chega nas favelas, onde mudanças climáticas serão mais sentidas

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“Nada sobre nós sem nós.” Vi essa frase grafitada em um muro e foi como se a cidade traduzisse pra mim da forma mais simples possível o que há quase seis anos no Engajamundo, instituição que promove a atuação de jovens no enfrentamento de problemas ambientais, a gente vem espalhando, como sementes, nos espaços de juventudes.

Saber que somos os mais afetados e vulneráveis aos impactos das mudanças do clima não é e nunca foi o bastante, pois não somos escutados na construção de soluções conjuntas.

Lá nos anos 2000, falar de meio ambiente era papo distante demais pra quem tinha pouco acesso a quase tudo. A gente ficava só com o desespero de saber que tinha alguma coisa acontecendo no mundo, como um buraco na camada de ozônio e blocos de gelo do tamanho de um prédio derretendo.

A geração que cresceu com a promessa de um aquecimento global descobriu que a única opção é lutar. Esta é mais uma das guerras que nós, juventudes de todas as partes, teremos que batalhar.

A responsabilidade é coletiva, porém os impactos dessa crise não serão sentidos da mesma forma por todos. Essa é a injustiça ambiental que existe desde sempre no Brasil.

Seja pela falta de braços suficientes para tantas lutas ou porque a interseccionalidade tem achado força e significado no debate popular, a pauta ambiental vem rompendo a bolha dos órgãos e especialistas e tem transitado pelas periferias.

Apesar disso, é importante dizer que o futuro não é um assunto prioritário para quem vive nos subúrbios e pega ônibus lotado em meio a uma pandemia, pois antes há prioridades como o combate à violência e às desigualdades.

Pode ser desafiador falar do “monstro invisível” das mudanças climáticas em um país onde existe um problema bem mais conhecido e presente na casa de quase 117 milhões de brasileiros: a fome.

Por outro lado, o atual debate de justiça ambiental (que é a perfeita tradução de que somos impactados de forma desproporcional pelos danos que causamos ao ambiente) permite o diálogo com quem está à frente do combate à fome, do debate sobre mobilidade urbana e das reivindicações do preço do ônibus.

Nesta grande conversa, estão incluídos também aqueles que abordam questões raciais e de gênero, se preocupam com saneamento básico, fazem governança comunitária, mobilizam por meio da fé e utilizam a arte para expressar a angústia do coletivo.

A gente descobre na prática o que é o socioambiental do qual falam que pertencemos, mas que nunca nos chamam para participar ativamente. Quanto mais se escuta sobre justiça climática, mais sentimos que falta espaço e, por consequência, maior é a necessidade de lutar pela inclusão de vozes diversas.

Se preocupar e agir pelo bem do planeta que queremos viver é resgatar o direito de sonhar. Em tempos difíceis para os sonhadores, a força está no coletivo, no que converge, reúne e une lutas que pareciam andar sozinhas. Até a forma como as desassociamos é fruto de um processo colonizador que molda a forma como vemos o ambiente e o nosso papel no mundo.

Quando a gente descobre que começar a agir pelos nossos é fortalecer a luta de um todo nos damos conta daquilo que se ouviu de Chico Mendes: “no começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”.

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Comunidade

Pandemia tem fomentado trabalho infantil na América Latina

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Cerca de 8,2 milhões de crianças entre cinco e 17 anos de idade trabalham na América Latina e no Caribe, uma região que ficou mais longe de erradicar o trabalho infantil por causa da pandemia, conforme advertido nesta sexta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil”, declarou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro

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